Tantas horas a morar no pasado,

no meu, que já conheço,
no teu, que não preciso conhecer.
E moro no futuro,
numa ideia que nem existe
e que eu acabo por pintar de cinzento,
em lugar de simplesmente olhar para as cores,
para a inmensidade de cores que cada dia desenhas.
E esta rotina está a me matar,
matame a mim, a ti e ao que temos.
Se em lugar de perder tempo a pensar além
conseguise pensar só no agora,
no que tenho e temos de bom,
no teu esforço inmenso…
Mas dá para ver que eu não construo,
fico parada a meio caminho
e destruo o que tu tentas construir com amor,
dia tras dia,
a pesar do duro que tem de ser para ti,
fazer coisas sem ter resultados,
porque sou eu a por obstáculos
e não ajudo.
Tenho medo a perder-te,
mas tenho noção,
cada vez mais,
de que se te perdo
é porque eu mesma te aparto de mim,
pouco a pouco.
Distante no futuro,
reducida a pasado,
em lugar de simplesmente olhar nos teus olhos
o meu, o nosso presente.
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