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Gosto muito do tato das tuas asas

em um abraço silencioso na profundidade da noite,

com as nossas mãos enlaçadas 

coma os ramos das árvores

nas que as borboletas descansam em primavera,

estação que tu pintas cada dia com a tua paleta de cores.

E faz-me sonhar, 

dormida e desperta,

no calor dos teus braços 

capazes de fazer-me voar,

ao teu lado.

 

Mas tenho medo,

temo não voltar a sentir o ar contigo,

a não poder olhar o mundo desde mil e uma perspetivas,

desde o chão e desde o ceio

que pela tua causa cambia com frequência,

coma as ondas do meu mar de Vigo.

E cada dia é uma nova viajem

ainda que a barca seja a mesma

que a que apanhamos o primeiro dia,

no entardecer de uma sexta que perdura.

 

Tenho medo a ter que partir antes de tempo

ou a pesquisar-te sem saber que já não estas,

sem a oportunidade de te dizer uma vez mas

o muito que gosto do tato das tuas as de borboleta

e do sabor da liberdade do ar compartilhado.

 

Gostaria de ser eterna, 

coma o Atlântico,

para não ter medo da fim da nossa viajem. 

Ou ser garrafa nas águas

com uma única mensagem escrita 

para tu, meu único destinatário.

Mas o papel molhado também é efémero.

 

Oxalá nenhum beijo for o ultimo,

senão o primeiro. 

Sem medo. 

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